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	<title>Burgos Post</title>
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		<title>Pelo direito de comer queijo Minas fora de Minas</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Oct 2011 15:26:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Burgos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na Semana Santa viajamos para o Sul de Minas e paramos em uma feirinha de produtores locais na pequena e simpática cidadezinha Maria da Fé. Comprei temperos e uma batida sensacional de uma mulher e perguntei sobre os queijos &#8211; estranhei que havia tão poucos por ali. Ela disse que tem até queijo de cabra [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=139&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://burgospost.files.wordpress.com/2011/10/o_mineiro_e_o_queijo.jpeg"><img class="alignleft size-medium wp-image-140" title="o_mineiro_e_o_queijo" src="http://burgospost.files.wordpress.com/2011/10/o_mineiro_e_o_queijo.jpeg?w=200&#038;h=300" alt="" width="200" height="300" /></a>Na Semana Santa viajamos para o Sul de Minas e paramos em uma feirinha de produtores locais na pequena e simpática cidadezinha Maria da Fé. Comprei temperos e uma batida sensacional de uma mulher e perguntei sobre os queijos &#8211; estranhei que havia tão poucos por ali. Ela disse que tem até queijo de cabra em sua fazenda, mas não podia vender. “São só 5 cabras, eu até quis vender, mas a inspeção foi lá e teríamos que aumentar a cozinha, subir o teto, colocar mais equipamentos, ter o selo da secretaria estadual, da federal. Aí não vale a pena.” É mais ou menos esse problema que é retratado no filme O Mineiro e o Queijo, ou pelo menos é isso que eu entendi por ler <a href="http://guia.folha.com.br/cinema/983096-em-filme-polemico-diretor-mostra-lei-absurda-do-queijo-de-minas.shtml">essa entrevista da Folha com o cineasta Helvécio Ratton</a>. Basicamente não se pode comer o queijo Minas tradicional em outros estados.</p>
<p>O filme é considerado “polêmico”, por mostrar a <em>rota do tráfico do queijo</em>, o que é triste. As leis higienistas criticadas no documentário são de 1952 e devem explicar em parte a situação da produtora com quem eu conversei, e são apenas mais um exemplo do excesso de regulação, acho, não apenas neste setor. Na ordem de fazer tudo &#8220;nos conformes&#8221;, o tal cartorialismo brasileiro, não damos oportunidade a mais micro-empreendedores e concentramos o poder &#8211; no caso dos queijos, por exemplo &#8211; em meia dúzia de companhias enormes ou cooperativas que perdem a <em>personalidade</em>. Talvez se não houvesse tanta fiscalização assim eu pudesse provar mais queijos ou cervejas artesanais ou comidas diferentes no geral. Este ano eu estava na pequena Montserrat, na Espanha, e havia microprodutores vendendo todo tipo de queijo em uma feirinha perto do mosteiro (o lugar, por sinal, <a href="http://www.flickr.com/photos/pedroburgos/sets/72157626211391940/">é maravilhoso</a>). Com bichinhos em cima pra identificar, coisa divertida, que eu registrei na foto aí embaixo. A céu aberto, manuseando as coisas com as mãos sem luvas. É assim há séculos. O povo lá, teoricamente mais “desenvolvido” que a gente, não acha nojento.</p>
<p><a href="http://burgospost.files.wordpress.com/2011/10/5504487672_052411fa33_b.jpeg"><img title="5504487672_052411fa33_b" src="http://burgospost.files.wordpress.com/2011/10/5504487672_052411fa33_b.jpeg?w=450&#038;h=253" alt="" width="450" height="253" /></a></p>
<p>Queijo é leite estragado, muitas vezes com fungo, por que diabos se preocupar tanto? Se rolar algum tipo de campanha “FREE QUEIJO MINAS” eu participo. Comendo, de preferência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/burgospost.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/burgospost.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/burgospost.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/burgospost.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/burgospost.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/burgospost.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/burgospost.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/burgospost.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/burgospost.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/burgospost.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/burgospost.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/burgospost.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/burgospost.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/burgospost.wordpress.com/139/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=139&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Por que eu não consigo terminar de escrever uma simples resenha de produto</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jun 2011 00:06:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Burgos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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		<description><![CDATA[Isto é Hollywood, e estou apaixonado por essa foto. Por mais paradoxal que seja pela minha profissão, tenho lido cada vez mais sobre um movimento de &#8220;desapego&#8221; em relação à tecnologia. Há alguns livros bem interessantes sobre o assunto, como Gadget &#8211; você não é um aplicativo ou What technology wants. Na ultima semana li outro, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=125&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://burgospost.files.wordpress.com/2011/06/hollywood-dream.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-135" title="Hollywood Dream" src="http://burgospost.files.wordpress.com/2011/06/hollywood-dream.jpg?w=450&#038;h=253" alt="" width="450" height="253" /></a><a href="http://farm4.static.flickr.com/3035/5813942544_aa5e60afe3.jpg" target="_blank"><br />
</a><span class="Apple-style-span" style="font-size:10px;font-weight:bold;"><em>Isto é Hollywood, e estou apaixonado por essa foto.</em></span></p>
<p>Por mais paradoxal que seja pela minha profissão, tenho lido cada vez mais sobre um movimento de &#8220;desapego&#8221; em relação à tecnologia. Há alguns livros bem interessantes sobre o assunto, como <a title="" href="http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3048899" target="_blank">Gadget &#8211; você não é um aplicativo</a> ou <a title="" href="http://www.google.com.br/url?sa=t&amp;source=web&amp;cd=1&amp;ved=0CBgQhgIwAA&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.amazon.com%2FWhat-Technology-Wants-Kevin-Kelly%2Fdp%2F0670022152&amp;rct=j&amp;q=what%20tchnology%20ants&amp;ei=6LDyTeqMOtGutwfQ8uWEBw&amp;usg=AFQjCNH5K9oaVfIPitbb9t1kwJkH-KdKUQ" target="_blank">What technology wants</a>. Na ultima semana li outro, Filter Bubble, que apesar de meio catastrofista às vezes, lança um alerta interessante sobre os problemas da superpersonalização (assistir a <a title="" href="http://www.thefilterbubble.com/ted-talk" target="_blank">palestra no TED</a> do autor já dá uma boa idéia do assunto).</p>
<p>Não estou virando um ludita, mas estou ficando cada vez mais de saco cheio de &#8220;tecnologia por tecnologia&#8221;, apesar de escrever sobre isso todo o dia. A tecnologia não é fim, é meio. Guarde isso.</p>
<p>E o fato de eu acreditar com todas as minhas forças nisso tem bastante a ver com a minha preferência pelo iPad, este gadget tão polêmico. E por isso mesmo é tão difícil escrever sobre ele. Eu estou tentando refinar uma série de pensamentos sem parecer um fanboy descerebrado, colocar em linhas que não agridam os céticos, mas tenho a impressão que só a Apple entendeu essa filosofia (ou a adota) na corrida por &#8220;quem faz o melhor tablet&#8221;. Tecnologia não é fim, é meio &#8211; especialmente na tal &#8220;era pós-PC&#8221;.</p>
<p>Se você se interessa por tecnologia, responda rapidamente, o que vem à sua cabeça quando falamos dos tablets com Android? Se você acompanha as notícias dirá que eles são dual core, tem suporte a Flash, entrada USB e, sei lá, widgets. Você pode agradar fanboys e tecnófilos com isso, mas qual é o ponto? A quem, fora aficcionados por tecnologia, serve a informação de quantos giga de RAM são necessários para a &#8220;verdadeira multitarefa&#8221;, ou a diferença entre um sistema <em>realmente aberto</em>? Se você gritou &#8220;É MUITO IMPORTANTE PRA TODO MUNDO&#8221;, este é um momento de auto-reflexão.</p>
<p>É óbvio que os tais &#8220;specs&#8221; não são o fundamental. O problema é que no mundo das interwebs, se você não se importa o suficiente com isso, é logo rebaixado em uma conversa sobre o assunto. E enquanto continuarmos com essa filosofia, vamos nos deixar ser governados pela tecnologia. Vamos insistir em &#8220;soluções&#8221; para problemas que não tínhamos, um novo processador para suportar um novo sistema que exige mais RAM para fazer as mesmas coisas, de maneira levemente mais bonita. Como fugir disso, como dizer que a tecnologia em si não é tão importante, quando escrevo em um site de tecnologia?</p>
<p>Eu tenho carteira assinada e tal, mas por sorte, no lugar onde eu trabalho o meu &#8220;escrever&#8221; é algo bastante pessoal. E aceita o que os mais cínicos chamarão de &#8220;babação pela maçã&#8221;. Para entendê-la, é preciso entender um pouco da minha relação com a tecnologia. Eu comprei uma infinidade de gadgets nos últimos anos (curiosamente, meu primeiro produto Apple, um iPad, só ano passado). Os meus favoritos de todos os tempos? IPad, a câmera Lumix GH1 e meus headphones Westone 3. Eles têm específicações fantásticas, sim, mas o mais importante para mim é o que eles me<em> possibilitaram</em>. Eu redescobri (a acreditar em elogios de pessoas queridas e até profissionais) o meu olhar de fotógrafo com essa câmera sensacional. Tive a sorte de poder rodar o mundo e visitar alguns lugares fantásticos que ficarão mais ou menos eternizados em boas imagens. Que eu mostrei um milhão de vezes para família e amigos &#8211; 90% das vezes recentes no iPad, o álbum perfeito.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://farm6.static.flickr.com/5138/5395041259_7803318c1d.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" src="http://farm6.static.flickr.com/5138/5395041259_7803318c1d.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><span class="Apple-style-span" style="font-size:10px;font-weight:bold;">A Patagônia argentina</span></p>
<p>Com os meus fones de ouvido, eu descobri camadas de som que eu não sabia que existiam nas músicas. Passei a fazer algo antes bizarro: parar, sentar e ouvir música. Prestar atenção nos detalhes. Tarefas antes chatíssimas, como ir lavar a roupa e ficar esperando tudo secar na lavanderia de madrugada (quando costumo fazer isso) passaram a ser até agradáveis, porque eu tinha um novo disco para ouvir, ou um velho a redescobrir. Passei a diminuir o ritmo de musicas que eu baixava, quase compulsivamente, e comecei a comprar todas, para garantir a qualidade, e desenvolvi uma sensibilidade de ouvido extra. Enquanto isso, vejo nos comentários &#8211; e me desespero &#8211; quando a discussão sobre o próximo iPod fica no &#8220;vai ter câmera&#8221;? Ou que 32 GB é &#8220;muito pouco&#8221;.</p>
<p>Meu notebook é legal, me faz ganhar dinheiro e tudo, é rápido e me interessa se ele tem uma placa de vídeo de 1 GB ou não. Mas eu me interesso afetivamente por ele como me interesso pela cadeira de escritório. Ele está lá servindo um propósito. Mas eu tenho afeição por gadgets que me possibilitam sair disso &#8211; minha câmera e meu fone de ouvido para começar.</p>
<p>E, last but not least, o iPad. Ele não é uma ferramenta de trabalho (para mim), ele é exatamente o dispositivo para eu esquecer da tecnologia, no &#8220;como&#8221;, e me concentrar no &#8220;para quê&#8221;. O iPad é o app que você estiver rodando. Li possivelmente o melhor livro da minha vida aqui, e uma quantidade de romances maior que nos últimos 10 anos, sem exageros &#8211; o que pode ser, admito, coincidência. Mas não foram só livros. Guias de viagem, artigos gigantes via Instapaper, livros interativos como o Our Choice, revistas que sempre amei (1 ano de Wired por 20 dólares!) e os quadrinhos, que eu redescobri. É bom sair do cinema depois de ver Thor, chegar em casa e poder baixar toda a série Ultimate Thor. Quando eu vi que o app de HQs saiu para tablets com Android, disse para um amigo que isso podia ser melhor e mais importante para ele como pessoa que qualquer atualização de honeycomb 3.1 pra 3.1.1. E possivelmente serei queimado nos comentários de tecnoxiitas se disser algo assim.</p>
<p>O que importa pra mim é que, além de me dar mais conhecimento, o iPad me ajuda a ser mais criativo. Estou arriscando composições no Garageband, já surpreendi minha namorada com &#8220;pinturas&#8221; feitas no Sketchbook, e não só levei minhas fotos para todo lugar, como brinquei com elas em apps que deixam tudo mais prazeroso, como o Snapseed, em que eu produzi a foto lá em cima e este álbum em poucos, mas divertidos minutos. Eu não quero ter trabalho eu não quero que o meio seja o fim. E sim, eu já dei root no aparelho, instalei as tais ROMs customizadas, e hoje pagaria alguém para fazê-lo, se precisasse. Como disse uma capa da Vida Smples uma vez, dinheiro é tempo. Eu pago para me concentrar no que é mais relevante pra mim, se puder.</p>
<p>Em tempos de &#8220;filter bubble&#8221;, de homogenização de pensamento, a tecnologia é importante &#8211; e aí revolucionária &#8211; quando ela se torna invisível, quando ela nos permite ser ou fazer mais. Não fazer simplesmente mais do mesmo, mais rápido, mas diferente, com outros horizontes, nos convidando a sermos melhores. Eu fui bastante criticado quando usei o termo &#8220;mágico&#8221; para descrever o primeiro iPad. E, em uma das primeiras versões do review do iPad 2 (que eu comprei pouco depois), eu insisti no termo. No mesmo esquema de perguntas e respostas, escrevi o seguinte:</p>
<p>&#8220;</p>
<p>A verdade é essa: ele é “mágico” no sentido que é uma tecnologia tão diferente, que as pessoas não estão acostumadas, que possibilita interações novas e reações de incredulidade &#8211; maravilhamento. Quer ver outra coisa mágica recente? Experimente ver uma criança interagindo com o Kinectimals pela primeira vez. Quando a tecnologia faz algo realmente diferente e deixa as pessoas de queixo caído. Ele realmente é diferente.</p>
<p><a href="http://farm5.static.flickr.com/4127/5112689346_0e25dc0311.jpg" target="_blank"><img class="alignleft" src="http://farm5.static.flickr.com/4127/5112689346_0e25dc0311.jpg" alt="" width="322" height="322" /></a>A minha melhor amiga estava de mudança. Eram os últimos dias no apartamento dela. Eu fui lá na sua casa com o iPhone 4 e o iPad 2 e, enquanto a gente conversava, eu filmava uma ou outra coisinha. Sentei no sofá, perguntei qual música ela gostava, baixei no iTunes, transferi sem qualquer fio as fotos e vídeos do iPhone 4 e editei ridiculamente rápido o vídeo, enquanto a gente conversava. Mostrei pra ela, e ela chorou. Parece &#8211; e é &#8211; brega. Mas é esse tipo de coisa que é incrível, que é meio inédito do ponto de vista tecnológico, e que você só faz com o iPad (especificamente o 2, pelo processamento, e no caso com a ajuda do iPhone), que ainda justificam o “mágico”. Não é o aparelho em si. Isso parece propaganda da Apple, que fez um videozinho nessa vibe.</p>
<span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='600' height='368' src='http://www.youtube.com/embed/tyEpaPEbjzI?version=3&amp;rel=0&amp;fs=1&amp;showsearch=0&amp;showinfo=1&amp;iv_load_policy=1&amp;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span>
<p>No lançamento do iPad 2, Jobs fez varias referencias ao casamento da tecnologia com as artes. E, como bem notou o pessoal da Cnet ao avaliar este comercial,</p>
<blockquote><p>Just as Jobs tried to explain to his excessively nerdified competitors, this ad declares that &#8220;technology alone is not enough.&#8221; It&#8217;s only when &#8220;technology gets out of the way&#8221; that things become more delightful and, yes, all right, even magical.<br />
Why? Because they become more human.</p></blockquote>
<p>E o comercial está certo. Eu entendo que ele é &#8220;certo&#8221; para minha visão do produto, eu entendo que cada um usa o iPad ou computador de maneira totalmente diferente. Por isso mesmo, no ano passado, em um texto gigantesco, eu dei o título da resenha do iPad de &#8220;Gadget revolucionário ou brinquedo inútil?&#8221;. Hoje a resposta é mais clara para mim (ainda que para muita gente ele ainda seja um brinquedo inútil), mas está cada vez mais difícil escrever sobre. O ambiente é mais complexo.</p>
<p>Eu já escrevi umas 200 versões do review do iPad 2, que, pelo interesse sobre o assunto (e o nosso pagerank do Google), certamente será o texto mais importante do Giz no ano. E eu estou tendo uma incrível dificuldade. Entendam, amigos, sou filosoficamente contra a imparcialidade, mas como qualquer jornalista persigo a objetividade. E quanto mais eu exploro as possibilidades, mais &#8220;momentos mágicos&#8221; aparecem, mais eu tenho a impressão que resenhar o iPad é como, sei lá, resenhar futebol. Como atribuir valor ou uma nota a algo tão pessoal? Para um amante de jogos de tabuleiro como eu o iPad é nota 11, para quem gosta de jogos de ação como God of War e coisas parecidas, ele é 6. Para quem tem uma Apple Tv em casa ele é nota 10 para rodar filmes e coisas do Youtube, sem fios, para quem gosta de fuçar e jogar qualquer aplicativo, e não gosta de outros acessórios, ele é quase inútil. Ele pode ser literalmente &#8220;life changing&#8221; para crianças autistas (há <a href="http://www.youtube.com/watch?v=HpiVeC1Z3yI">outro comercial fantástico sobre o assunto</a>) e pode ser um notebook frustrante para quem quiser trabalhar nele.</p>
<p>Os reviews do Gizmodo são diferentes de resenhas na maioria dos lugares. Não é puramente a ficha técnica, com padrões muito bem estabelecidos e notinha no final. Uma resenha no Giz é basicamente eu respondendo para um amigo &#8220;então, saiu esse negócio aí. O que você acha de eu comprar?&#8221; E é difícil dar uma opinião tão propositadamente inexata, tanto mais difícil quando há um clima de rivalidade quase bélica entre os que gostam e odeiam a marca, por razões mais outras menos justificadas. E, por isso mesmo, eu reexamino minhas opiniões, tentando invalida-las com contraargumentos, numa guerra diária na minha cabeça quando sento para avançar mais alguns parágrafos &#8211; eu não posso errar aqui, tenho que parecer mais honesto que sou, e não posso trair o que acredito, porque eu sinceramente acredito que a minha opinião sobre é <em>justa</em>. Como falar sobre as especificações e a experiência de uso sem deixar a filosofia &#8211; ainda mais quando ela parece com um comercial de TV &#8211; de lado, em passar de, sei lá, 40 mil caracteres como da ultima vez? É incrível como escrever sobre um negócio que tem deixado minha vida mais prazerosa e simplificada tem sido um negócio terrivelmente complicado.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/burgospost.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/burgospost.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/burgospost.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/burgospost.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/burgospost.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/burgospost.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/burgospost.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/burgospost.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/burgospost.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/burgospost.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/burgospost.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/burgospost.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/burgospost.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/burgospost.wordpress.com/125/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=125&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Hollywood Dream</media:title>
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		<title>Velho, bucólico, brega ou charmoso. Só depende dos seus olhos</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2011 12:49:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Burgos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[É incrível como eu virei um bicho da cidade. Passei a minha infância indo pra roça (aka fazendo pobre). Hoje, semipaulistano, eu acho as paisagens do interior de Minas incríveis. Fomos para Cristina, Sul de Minas, este feriadão. Me peguei gritando mais de uma vez &#8220;Meu deus, VAQUINHAS&#8221;. E fotografei várias. Além daquelas paisagens de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=122&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://burgospost.files.wordpress.com/2011/04/p1190101.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-123" title="Cristina MG" src="http://burgospost.files.wordpress.com/2011/04/p1190101.jpg?w=450&#038;h=300" alt="" width="450" height="300" /></a></p>
<div>
<p>É incrível como eu virei um bicho da cidade. Passei a minha infância indo pra roça (aka fazendo pobre). Hoje, semipaulistano, eu acho as paisagens do interior de Minas incríveis. Fomos para Cristina, Sul de Minas, este feriadão. Me peguei gritando mais de uma vez &#8220;Meu deus, VAQUINHAS&#8221;. E fotografei várias. Além daquelas paisagens de &#8220;mares de morros&#8221; com uma casinha perdida no topo. Hoje em dia só vejo isso em pintura de museu.</p>
<p>Na viagem achei graça do sotaque quase incompreensível do velho caipira banguela, do cartaz anunciando o campeonato regional de futebol de botão, do megafone da igreja anunciando para a toda a cidade o falecimento de alguém (filho de tal, pai daquele outro)&#8230; Nos meus tempos de recém-habitante-de-metrópole diria que essas cidades pararam no tempo. Deslumbrado com São Paulo em 2006, diria &#8220;O que essas pessoas fazem aqui?&#8221; Hoje eu já acho simplesmente diferente, e interessante revisitar com olhos de forasteiro. Quase qualquer lugar é interessante com olhos de turista. E o Sul de Minas é um charme.</p>
</div>
<p><a href="http://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=71649">http://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=71649</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/burgospost.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/burgospost.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/burgospost.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/burgospost.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/burgospost.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/burgospost.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/burgospost.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/burgospost.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/burgospost.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/burgospost.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/burgospost.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/burgospost.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/burgospost.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/burgospost.wordpress.com/122/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=122&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O dia em que minha geração se mexeu para conseguir o que queria</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Nov 2010 20:03:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Burgos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Num dos dias mais bonitos do ano em São Paulo, uma corrida silenciosa foi disputada por pessoas que aparentemente não correm. Eu participei. De bicicleta – o que pode ser considerado meio injusto.  Mas estava valendo. Tudo era meio insólito. Era perto de 3 da tarde quando cheguei perto do Ibirapuera. Parado em cima da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=113&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://burgospost.files.wordpress.com/2010/11/ibira.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-115" title="Ibira" src="http://burgospost.files.wordpress.com/2010/11/ibira.jpg?w=450&#038;h=300" alt="" width="450" height="300" /></a></p>
<p>Num dos dias mais bonitos do ano em São Paulo, uma corrida silenciosa foi disputada por pessoas que aparentemente não correm. Eu participei. De bicicleta – o que pode ser considerado meio injusto.  Mas estava valendo. Tudo era meio insólito.</p>
<p>Era perto de 3 da tarde quando cheguei perto do Ibirapuera. Parado em cima da bicicleta, olhando para o celular, de capacete e tudo, parecia um matador de aluguel esperando o telefonema que me faria perseguir alguém  E esperava uma ligação, de fato. Ela chegou. Aliás, duas pessoas me ligaram ao mesmo tempo. Atendi uma delas. Oi, Malu.</p>
<p>- 1205&#8230; 1206&#8230; Tá chegando. Ai meu Deus. Atualizou. A senha é Balboa.  - Tipo Rocky Balboa? &#8211; É. Na frente do MAM.</p>
<p>Estava relativamente longe do alvo. Mas mais ou menos no mesmo intervalo de 10 segundos, vi outras pessoas desligando seus celulares e começando a correr. Precisava acelerar. Ligaram mais algumas vezes para mim, mas não atendi. Atravessei rapidamente duas ruas, andei pelo gramado derrapando, confundi o MAM com outro museu, desviei de skatistas. E vi cada vez mais pessoas correndo.</p>
<p>Gente que aparentemente não costuma correr no Ibirapuera. Gente da minha idade, com tatuagens, de All-Star que nessa hora você descobre que não é bom para correr. Alguns conversando no telefone, alguns tirando a camisa e mostrando os pneus e pele branquelíssima.  Eles deveriam estar ouvindo esta mensagem:</p>
<p>“Camisa azul, com umas ondas, marca do Fox. Ok.”</p>
<p>Provavelmente cheguei antes ao MAM. Mas não tinha recebido este pequeno detalhe e não localizei a figura. Quando parei a bike e atendi o 7° telefone com este último pedaço de informação da caça ao tesouro, avistei o cara e vi várias pessoas se aproximando. Cheguei logo depois e fui recebido com comentários jocosos. “Pô, o cara veio de bicicleta! Hahaha”</p>
<p>E, mesmo de bicicleta, cheguei tarde demais. A Volks, em uma ação publicitária para o seu Fox, estava distribuindo quatro pares de ingresso pro Planeta Terra. Eu fui o quinto ou sexto a chegar. Não adiantaria nem mostrar que Grounded, do Pavement, atração do festival, era meu toque de celular (e já estavam me ligando pra saber se tinha ganhado). Eu já tinha garantido o meu, mas queria  que mais pessoas queridas fossem. Não rolou.</p>
<p><a href="http://burgospost.files.wordpress.com/2010/11/foxterra.jpg"><img class="aligncenter" title="Foxterra" src="http://burgospost.files.wordpress.com/2010/11/foxterra.jpg?w=450&#038;h=230" alt="" width="450" height="230" /></a></p>
<p>E parei pra pensar. Quem consegue sair no meio da tarde de sexta-feira, um dia comercial, para o Ibirapuera – ou mandar alguém fazer isso? Quem usa o Twitter e atualiza uma página de internet a cada segundo? Quem mataria uma ou duas horas de trabalho para conseguir um ingresso pra um festival com bandas não-tão-pop?</p>
<p>A intersecção desses conjuntos de pessoas  é pequena, estereotipísticamente falando. Eu imagino aquele diretor de arte de alguma agência de publicidade que fica ali perto. Imagino não. Eu vi alguns deles. Ou blogueiros como eu. Provavelmente uns 5 “analistas de mídias sociais”. Ninguém passando fome, provavelmente todo mundo com condições de comprar o ingresso – que acabou relativamente rápido, é verdade.</p>
<p>Se eu fosse um desses Felipe Netos, xovem revoltado, diria que “essa juventude apática” não se esforça assim por qualquer outra coisa. Que na hora de protestar contra o governo, não faz nada disso. Que é um sinal dos tempos, de que o povo não gasta mais que 30 segundos para  xingar o Enem no Twitter, mas fica 10 horas na fila do Restart ou Smashing Pumpkins, bla bla bla.</p>
<p>Mas essa é a visão Copo metade vazio. E furado. E idiota. Jovens sempre fizeram  essas coisas pelos seus ídolos, talvez bem mais (Os anos 60 os jovens eram politizados, é o que dizem. Beatlemania anyone?). A prioridade das pessoas, verdade seja dita, é viver bem, se divertir, especialmente quando são jovens.</p>
<p>E a aventura hoje divertida. Não vi muita gente saindo de lá decepcionada – toda caça ao tesouro tem perdedores, mas o processo normalmente é divertido. E, enquanto subia a ladeira que é a volta pra casa, pensava em outra coisa: a ação Volks-Planeta Terra é bem o futuro da publicidade. O momento de reflexão-suadeira aconteceu porque por acaso li no almoço um <a href="http://www.fastcompany.com/node/1702130/print">texto sensacional da Fast Company exatamente sobre isso</a>. Uma das boas frases ali sobre o “futuro” é:</p>
<p>“Marketing actually needs to be useful &#8212; &#8220;use-vertising&#8221; instead of advertising”</p>
<p>Marketing é legal, aqueles filmes de 30 segundos grandiosos que viralizam são bacanas, jingles que ficam na tua cabeça também. Mas pergunte para qualquer publicitário importante hoje (falamos com alguns <a href="http://www.gizmodo.com.br/categorias/giz-reunions">na série Giz Reunions</a>) sobre alguma “ação” publicitária invejada. E eles falarão do “Nike Corre” ou alguma variação dessa campanha.</p>
<p>A Nike ofereceu aplicativos bacanas (o genial Nike+), organizou corridas, planos de treinamento, aconselhamento, tudo relacionado ao assunto. A marca estava lá, e as ações eram “anunciadas”, mas havia algum valor para o potencial consumidor. Mais do que vender algum produto, elas ganharam a simpatia. E, numa época em que um review pode destruir a reputação de qualquer bem de consumo, problemas em algum produto são conhecidos rapidamente em redes sociais e avaliações na Amazon são mais importantes que qualquer spot dirigido por um cineasta cool, ter a simpatia de consumidores é o máximo que o marketing pode almejar de um consumidor pós-moderno, que pode não ser fundamental hoje no &#8220;Brasil classe C mais rica que compra nas Casas Bahia e vê novela&#8221;, mas que é o futuro. Compare o quanto a Apple gasta com “mídias sociais” no Brasil (zero, só para deixar claro) com o que Samsung, Nokia, LG ou qualquer outra marca gasta. Agora me diga: de quem é o celular mais desejado hoje? Tudo porque a imagem da marca é bem construída e o produto é fantástico. Como disse um outro cara para a reportagem da FastCompany,</p>
<p>“Marketing in the future it will be like sex. Only the losers will pay for it.”</p>
<p>Quem segue as marcas no Twitter hoje espera que elas façam alguma coisa. Dêem algo em troca pela atenção. Façam algo de útil. Todo mundo fala mal da Veja e não vai ter campanha publicitária que mude isso. Mas jogue um app gratuito e bem formatado para smartphones &#8211; as pessoas consumirão a revista e seus anunciantes &#8211; e ali no meio elas podem descobrir que a revista não é só o Mainardi e o Reinaldo Azevedo. Funciona assim para tantas outras coisas.</p>
<p>Você pode pensar que estou pedindo demais, que isso não é publicidade. Concursos na internet como o de hoje podem ser uma coisa meio absurda, mendicância virtual. Mas como você, marca, chega a mim? Essa galera que estava lá no Ibirapuera navega com adblock, não vê comercial da TV, mora numa cidade sem outdoor e nem ouve rádio. Como chegar a nós, que, afinal, temos um bocado de dinheiro para gastar? A única maneira é fazendo ações simpáticas, se possível um pouco diferentes. O velho “mande uma frase legal” já deu. Queremos ser desafiados, queremos nos divertir no processo e olharemos com bons olhos essas marcas, acho. A decisão de compra vai ser cada vez mais consciente, cada vez menos afetada pela publicidade. Então, concentre-se em fazer o melhor produto possível. No desempate, quem tiver feito a coisa mais útil e simpática para mim pode ganhar uma compra.</p>
<p>Apenas acho isso, e estou ciente que generalizo a minha posição para toda uma geração, precisaria estudar mais. Mas foi o que pude refletir voltando do que poderia, sob alguma ótica, ser visto como uma “tarde #FAIL”. No fim, perdi algumas calorias e estabeleci um recorde de bicicleta para o percurso casa-Ibirapuera, ao que me disse o Cyclemeter. Todos ganharam.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/burgospost.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/burgospost.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/burgospost.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/burgospost.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/burgospost.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/burgospost.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/burgospost.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/burgospost.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/burgospost.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/burgospost.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/burgospost.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/burgospost.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/burgospost.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/burgospost.wordpress.com/113/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=113&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O post em que eu declaro meu voto</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Oct 2010 18:51:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Burgos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A única matéria razoavelmente equilibrada que a Veja fez nas eleições foi sobre a ausência de debate sobre temas importantes, capa da última semana. Ela lista o que ficou de fora das propagandas eleitorais e ridículos debates na TV: Educação, reformas tributárias, de previdência, aumento do déficit público e inchaço do estado, entre vários outros. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=100&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://burgospost.files.wordpress.com/2010/10/deolho9-lula-serra-dilma1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-106" title="Dilma-Serra-Lula" src="http://burgospost.files.wordpress.com/2010/10/deolho9-lula-serra-dilma1.jpg?w=450&#038;h=264" alt="" width="450" height="264" /></a></p>
<p>A única matéria razoavelmente equilibrada que a Veja fez nas eleições foi sobre a ausência de debate sobre temas importantes, capa da última semana. Ela lista o que ficou de fora das propagandas eleitorais e ridículos debates na TV: Educação, reformas tributárias, de previdência, aumento do déficit público e inchaço do estado, entre vários outros. Nada disso foi comentado com profundidade por qualquer candidato. Eles fizeram questão de fincar posição apenas sobre um tema, e depois das urnas: aborto.</p>
<p>Tudo porque &#8220;&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"especialistas&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221;"&#8221; atribuíram a DERROTA (não vencer no primeiro turno é derrota) da candidata governista ao fato de grupos religiosos terem colado nela a imagem de defensora do aborto. Não foi o fato de ela ser uma pessoa que não consegue concatenar duas frases com sentido perfeito sem ler, de ter uma biografia que levanta suspeitas, de nunca ter vencido uma eleição. Ter mais votos que Lula nos primeiros turnos de 2002 e 2006 não foi o suficiente para o salto alto petista, é preciso ter um motivo para o <em>fracasso</em>: só pode ter sido coisa desses crentes malucos.</p>
<p>Aí centram o debate nisso. O que é estupidez. A <a href="http://www.youtube.com/watch?v=TdjN9Lk67Io">Dilma é a favor da descriminalização do aborto</a>, já deixou bem claro, agora mente por conveniência. O Serra também: atuou pró aborto quando era ministro da Saúde e tem a Soninha como coordenadora de campanha, que já <a href="http://esquerdopata.blogspot.com/2010/10/coordenadora-de-serra-ja-fez-aborto-e.html">cansou de defender a descriminalização</a> e dizer que ela mesmo fez. O ideal seria que os dois candidatos dessem uma declaração conjunta do tipo &#8220;ENTÃO, somos favoráveis à discussão do assunto, vale? TRANQUILO?&#8221;. Se alguém decidir não votar em algum deles por esse simples motivo tem de ter o título cassado, não está apto a participar da democracia. Na internet, a baixaria. A militância tucana extremada inventa &#8220;orientações da CNBB&#8221; (desmentida), os petistas chamam todos os partidários do PSDB de direitistas da TFP. E voltamos à década de 50.</p>
<p>O debate não pode ser nivelado por baixo. As pessoas razoavelmente esclarecidas que eu conheço são a favor de, no mínimo um debate mais aprofundado sobre a questão. Fazer força para dizer que é CONTRA, só para agradar meia dúzia de milhões de idiotas, é um retrocesso. Aliás, a campanha foi marcada pela ausência de posições fortes sobre qualquer coisa minimamente polêmica. O retrato disso foi a candidatura derrotada dos KLBs, que levantou uma bandeira contra a &#8220;pedofilia&#8221;. Que é tipo &#8220;marcar posição contra a poluição&#8221;. Alguém é a favor?</p>
<p>E, de novo, para ficar claro: religiosos não são idiotas, muito menos alguma pessoa fortemente contrária ao aborto por qualquer motivo. Mas decidir o voto simplesmente pelo aborto, ignorando todo o resto, ainda mais por determinação de um bispo ou qualquer que seja, é idiota.</p>
<p><strong>Em quem vou votar?</strong></p>
<p>Depois de, pela ordem, Lula, Lula, abstenção e Marina, eu voto no Serra. Porque, por mais que a campanha dele seja a pior de todos os tempos, uma que o eleitor não tem ideia do que ele pensa e propõe, ele é um candidato mais preparado e, tão ou mais importante, não é o candidato do PT. Eu, que em 1998 andava com uma bandeirinha do partido na luta contra Roriz (que Serra apoia, como naquele vídeo em que abraça a Tiririca do DF, dona Weslian, eu sei), mudei de lado. Acho que o PT, junto com PP, PMDB e pinduricalhos, precisa sair do poder.</p>
<p>O partido do Lula acha que é o dono da verdade, responsável por tudo de bom feito no Brasil nos últimos tempos. Tem uma política educacional totalmente equivocada, gastando absurdos (mal) em universidades federais para não incomodar a <em>intelligentsia</em> que o apoia, sem mexer o suficiente na capacitação de professores do ensino básico. O governo não mexeu uma palha para começar reformas estruturais como a da Previdencia, da Justiça e Tributária, investir em energias alternativas ou mudanças no transporte. Inchou a máquina, fazendo concursos para que ministério de qualquer coisa tivesse mais assessores de imprensa que qualquer redação. Aumentou o déficit público e em tempos de desastres da BP no Caribe acredita no Pré-Sal como salvação: e gasta dezenas de milhões de dólares em publicidade para lembrar isso antes de pensar em furar o primeiro poço. Sem falar na piada que foi a política externa. A lista segue e estou sendo superficial apenas para economizar tempo. A corrupção e alianças com Tiririca, Collor, Sarney, Renan &#8211; fora os quadros próprios, que voltarão com força, como Palocci e Zé dirceu, desanimam. Ah, o governo FHC também era assim! Era, em aparente ligeiro menor grau. Mas esperava-se que o PT mudasse isso. Não mudou.</p>
<p>FHC fez muito mais? Há argumentos pró e contra, mas vou fazer um recorte que me interessa. As privatizações aceleraram o acesso dos brasileiros a coisas básicas de consumo (linhas telefônicas! Celulares!) e a reforma econômica tem efeitos duradouros, que foram aproveitados por Lula. Os avanços do sistema de saúde (muitas das coisas pré-Serra, bom lembrar), criação do que viria a ser o bolsa-família e tudo ajudaram a pavimentar tempos melhores. É impossível medir o quanto do sucesso do governo Lula se deveu a sementes plantadas no governo FHC. E é impossível saber o quanto que as coisas erradas do governo FHC (falta de reformas mais profundas nas mesmas áreas, educação com o selo Paulo Renato) atrasaram o governo Lula também. Isto posto, os anos FHC foram, por mais inacreditável que possa parecer, mais transformadores, com mais experimentação e menos arrogância de &#8220;Nunca antes na história deste país&#8221;. As mudanças iniciadas foram sentidas mais pra frente, é óbvio. Mas o mais sensacional é que há anos as pessoas &#8220;progressistas&#8221; reclamam da falta de pensamento de longo prazo. E fazem de tudo para enquadrar tudo que mudou no país em 8 anos. É errado.</p>
<p>Serra pode dar continuidade ao governo Lula, mudar tão pouco quanto Dilma, mas pela experiência dele aqui em São Paulo, sei que ele quer fazer algumas coisas diferentes. Diminuir o inchaço do Estado parece ser uma delas. Dar espaço a pessoas competentes fora dos partidos que sempre estiveram lá (Michel Temer!) ao invés de simplesmente dar uma grande estatal ou ministério a um semianalfabeto do PMDB é outra. A mudança da política externa, mais afastada de Chávez e Irã, é outra coisa que me agrada. É o suficiente? Talvez não &#8211; os projetos das duas coligações são realmente semelhantes. Mas, de novo, o fato &#8220;não-PT&#8221; me anima mais.</p>
<p>Não acredito que uma pessoa que não sabe falar (Lula fala palavras erradas, mas é um orador ímpar, sabe se fazer entender, tem números e políticas na cabeça e é um exímio articulador)  e, principalmente ou por causa disso, vai dar espaço aos piores setores do PT, pode ser uma presidente melhor. Não consigo achar motivos. Os petistas que conheci sempre começam o debate xingando &#8220;O Serra e a ARROGÂNCIA PAULISTA&#8221; antes de dizer qualquer coisa e são tão ou mais &#8220;vamos votar na Dilma porque o Serra é um cara de melão, porque o Paulo Henrique Amorim falou&#8221; do que os Serristas em relação a Dilma. Não vejo muitos argumentos pró-Dilma. Eu honestamente estou à procura deles.</p>
<p>Mas não acho também que o Brasil vai mudar radicalmente se ela for eleita: torço para que não, se esta for a vontade das pessoas. Como falei no meu artigo em apoio ao Ricardo Young (que teve uma votação surpreendente!), não acho que isso seja tão determinante para o nosso futuro. Por sorte viajei um bocado para fora do Brasil nos últimos meses. E toda vez que volto, tenho, acredite, mais fé no País, pelas pessoas. Que apesar de governos desastrados, impostos altíssimos e falta de educação formal, fazem o país avançar com muito trabalho. Dificilmente um dos dois candidatos vai atrapalhar esse curso.</p>
<p>Isto posto, tenho vários amigos pró-Dilma, gente que admiro e respeito. Assim como conheço uma penca de eleitores do Serra que são pessoas terríveis. Mas, independente do lado, perco um pouquinho de respeito a cada comentário do tipo &#8220;olha como o Serra é burro. Dá uma olhada no vídeo dele errando uma conta de juros! Huahuahuahua&#8221;, sem olhar para basicamente qualquer discurso da Dilma, com falhas não só de português, mas de lógica. Em resumo: ambos candidatos têm falhas: saiba defender o seu com autocrítica, leia sempre os dois lados (eu posso mudar de voto até lá, who knows?) e não desqualificando automaticamente seus eleitores. Fuja do <em>confirmation bias</em>. Vote consciente (nulo jamais!) e boa sorte para o Brasil.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/burgospost.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/burgospost.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/burgospost.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/burgospost.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/burgospost.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/burgospost.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/burgospost.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/burgospost.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/burgospost.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/burgospost.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/burgospost.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/burgospost.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/burgospost.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/burgospost.wordpress.com/100/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=100&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Dilma-Serra-Lula</media:title>
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		<title>Por que o meu candidato vai perder &#8211; e por que isso não é o fim do mundo</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 03:14:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Burgos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Na sexta-feira passada eu decidi assistir o horário eleitoral gratuito da TV. Transferi meu título há pouco tempo, precisava conhecer melhor os candidatos. Não tenho qualquer coisa muito definida na minha cabeça e ao final dos reclames pouco mudou. Do show de horrores de mensagens ultra rápidas de deputados estaduais às super produções dos candidatos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=86&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://burgospost.files.wordpress.com/2010/08/ryoug.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-87" title="RYoug" src="http://burgospost.files.wordpress.com/2010/08/ryoug.jpg?w=450&#038;h=139" alt="" width="450" height="139" /></a></p>
<p>Na sexta-feira passada eu decidi assistir o horário eleitoral gratuito da TV. Transferi meu título há pouco tempo, precisava conhecer melhor os candidatos. Não tenho qualquer coisa muito definida na minha cabeça e ao final dos reclames pouco mudou. Do show de horrores de mensagens ultra rápidas de deputados estaduais às super produções dos candidatos a governador e presidente nada parece remotamente conectado à realidade.</p>
<p>Como disse um amigo, se um político precisa de um teleprompter para passar uma mensagem de 10 segundos ele não está preparado a qualquer cargo público. Falta em todos os programas honestidade, projetos reais, posições bem estabelecidas. Tudo é pré-fabricado pelos marqueteiros e o eleitor que está interessado em conhecer os candidatos (minoria, é claro), o que eles pensam, não têm muito o que aproveitar da propaganda. A campanha é chatíssima, como bem assinalaram a <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI163121-15230,00-MANO+PARA+PRESIDENTE.html">Ruth de Aquino</a> e o <a href="http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2010-08-01_2010-08-31.html#2010_08-21_17_21_20-10759959-0">Marcelo Coelho</a>.</p>
<p>Mas, no meio da chatice, achei alguém que parecia digno do meu voto.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p>A propagando do candidato a senador Ricardo Young é relativamente simples: mostra <a href="http://www.gizmodo.com.br/conteudo/o-livro-para-ipad-mais-engenhoso-que-existe">o currículo dele</a> e alguns segundos da sua pessoa. Co-fundador do S.O.S. Mata Atlântica, presidente do Instituto Ethos, fundador do Nossa São Paulo, conselheiro de várias entidades de responsabilidade empresarial e proteção do meio ambiente. Enquanto alguns políticos ficam disputando a paternidade de programas que foram certamente pensados por meia dúzia de assessores, Young mostra a ficha (limpa) cheia de achievements.</p>
<p>Por curiosidade, fui ver o <a href="http://twitter.com/ryoungsenador">Twitter dele</a>. Menos seguidores que eu. <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,datafolha-marta-lidera-disputa-para-o-senado-com-32,595945,0.htm">Pela última pesquisa</a>, o Verde está literalmente na rabeira, atrás de dois candidatos do PSOL e PSTU.  Mas a propaganda, ainda que curta, é relativamente boa, o cara tem um nome bem mais conhecido que vários próximos dele, ficha exemplar, currículo e até <span style="text-decoration:underline;">propostas</span> boas. O candidato do PV, assim como o vice-presidente de Marina Silva, Guilherme Leal, consegue transitar bem entre defensores de baleias, jovens descolados e grandes empresários. Mas ele tem cerca de 1% dos votos e aparentemente não será eleito senador. Como?</p>
<p>A resposta é difícil, seria preciso uma tese. Não vou tentar responder aqui.</p>
<p>O fato é que para se candidatar a uma vaga do Senado, Young teve que se afastar da presidência do Instituto Ethos, associação de diretores das maiores empresas do Brasil (responsáveis por 2 milhões de funcionários e mais de 30% do PIB), que dá consultoria gratuita e faz estudos sobre boas práticas empresariais.  Terá valido a pena?</p>
<p>A resposta &#8211; ou a ausência dela &#8211; é o motivo de eu acreditar cada vez menos em política. Ou melhor, acredito cada vez mais, mas não pelas vias normais.</p>
<p>Calma, não virei um anárquico ou defendo o voto nulo.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p>Política, pela definição clássica grega, é tudo que se relaciona às cidades e às pessoas que lá moram. É algo social. Ricardo Young provavelmente faz uma política mais efetiva em suas ONGs do que no Senado, onde deveria entrar no jogo, participar de votos de bancada, barganhar alterações em emendas, enfim, entrar na sujeira toda.</p>
<p>Para nossa frágil democracia, Ricardo Young é provavelmente mais importante que 90% dos senadores, aqui fora. A política é cada vez menos monopólio do Estado. E também não é exclusividade de ONGs e pessoas engajadas. Ela pode ser feita até por essas tais empresas &#8220;capitalistas&#8221; do mal.</p>
<p>Veja o caso dos grandes supermercados brasileiros que se uniram para rejeitar a carne vinda de frigoríficos <a href="http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=11463">envolvidos no desmatamento ilegal</a>. Sem precisar de Medida Provisória ou Portaria da Anvisa. É lindo, e há exemplos ainda mais grandiosos. Uma vez <a href="http://super.abril.com.br/ecologia/ecologia-como-auto-ajuda-447366.shtml">entrevistei Adam Werbach</a>, um dos 6 conselheiros mundiais do Greenpeace, que largou o ativismo e foi dar consultoria ao Wal-Mart, hoje uma empresa significativamente mais verde. Algumas decisões da rede de supermercados, influenciada por Webach, também são mais fortes que canetadas de políticos. O impacto ambiental da escolha de fornecedores ou a rejeição de leite com hormônio sintético por parte do gigante varejista &#8211; para ficar em um exemplo prático recente &#8211;  é maior e mais rápido do que leis que passam anos no Congresso.</p>
<p>Mas você não é dono de empresas, ou conselheiro de multinacionais. Quer manter em um nível mais próximo da realidade? Enquanto a lei para diminuir a tributação sobre videogames no Brasil está paradíssima há anos na mesa do deputado Antônio Palocci, uma empresa fez, para testar ferramentas sociais, o <a href="http://www.gizmodo.com.br/conteudo/trocajogo-e-maneira-mais-pratica-de-renovar-sua-colecao-de-jogos">Trocajogo</a> que, se não diminui o preço dos videogames, chega a resultado semelhante da lei: mais pessoas podem jogar mais jogos diferentes.</p>
<p>Eu poderia seguir com 30 milhões de exemplos sobre engajamento político, especialmente em tempos de internet. A maioria vem do ótimo livro <a href="http://www.amazon.com/Cognitive-Surplus-Creativity-Generosity-Connected/dp/1594202532">Cognitive Surplus</a>, que eu terminei esses dias. Mas eu fujo do assunto, que é o Ricardo Young.</p>
<p>Ao mesmo tempo que fico triste de ver que o meu candidato a senador tenha uma fração dos votos de Netinho de Paula, me alenta o fato de que a política pode ser exercida longe do Congresso. E acho que, além de estudarmos muito bem em quem vamos votar, podemos fazer política com as próprias mãos. Nunca tivemos tanta facilidade para fazer isso acontecer.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/burgospost.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/burgospost.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/burgospost.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/burgospost.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/burgospost.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/burgospost.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/burgospost.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/burgospost.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/burgospost.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/burgospost.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/burgospost.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/burgospost.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/burgospost.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/burgospost.wordpress.com/86/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=86&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Pedro Burgos</media:title>
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		<title>Como eu tento mudar o mundo</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Aug 2010 03:19:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Burgos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje é domingo e este foi mais um fim de semana em que passei horas respondendo longamente comentários no Gizmodo. Especificamente dois caras muito fãs da Nokia que acreditam que sua marca é prejudicada pela cobertura do blog. O que me fez pensar um bocado sobre a Finlândia. Não pela Nokia, mas pelo tipo de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=75&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_79" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://burgospost.files.wordpress.com/2010/08/duty_calls.png"><img class="size-full wp-image-79" title="duty_calls" src="http://burgospost.files.wordpress.com/2010/08/duty_calls.png?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">O Xkcd resume tudo</p></div>
<p>Hoje é domingo e este foi mais um fim de semana em que passei horas respondendo longamente comentários no Gizmodo. Especificamente dois caras muito fãs da Nokia que acreditam que sua marca é prejudicada pela cobertura do blog. O que me fez pensar um bocado sobre a Finlândia. Não pela Nokia, mas pelo tipo de discussão nos blogs.</p>
<p>A Finlândia é o país com <a href="http://www.consciencia.net/2004/mes/17/edu-finlandia.html">a melhor educação do mundo</a> por várias métricas. O sistema educacional público, obrigatório e gratuito, de 7 a 16 anos, consome 5,8% do PIB. O salário médio do professor, bem qualificado, é bom, mas não excepcional em relação a outras classes (2.300 Euros). Proporcionalmente, essa é mais ou menos a mesma situação do Brasil (que investe em educação, dependendo da fonte, algo em torno de 5% do PIB &#8211; a maior parte jogada no lixo no ensino superior gratuito, mas isso é discussão para outro dia).</p>
<p>Se não é percebida em porcentagem, a diferença histórica entre a educação da Finlândia e Brasil é claramente verificada em no dia a dia dos intertubos.</p>
<p>Pelo que estudei da educação da Finlândia (e posso estar errado aqui, mas não deixa de ser um modelo utópico), o ensino deles tem um método curioso: a molecada entra na escola com 7 anos mas só vai aprender a escrever alguma coisa lá para os 9. Ou seja: eles demoram 3 anos a mais que a gente para garranchar &#8220;Ivo näki rypäleen&#8221; (Ivo viu a uva em finlandês, segundo o Google Translate). Só que, quando têm 11, eles lêem mais e melhor do que um adulto médio brasileiro. A questão é o foco.</p>
<p>Nos seus dois primeiros anos na escola , os branquelinhos aprendem a conversar. A tia fala que o assunto do dia é futebol. O que eles sabem? O que eles gostam? Por que é diferente do basquete? Quem joga bem? &#8220;Joãozinhossonn, explica pra turma por que você acha que o 4-4-2 é o sistema de jogo mais usado&#8221;.</p>
<p>Talvez seja algo um cadinho menos complexo, mas a aula é algo assim. E não é só: as escolas têm bastante autonomia quanto ao currículo, e podem decidir com os pais boa parte das atividades, podendo incluir mais aulas de música ou culinária, por exemplo. Tudo isso é importante.</p>
<p>O fundamental e diferente é que, no início da vida escolar, os finlandesinhos aprendem a conversar. A argumentar. A ouvir as ideias dos outros, a ter suas próprias, formular raciocínios. Quando eles aprendem a escrever, depois, eles entendem que as letras no papel são apenas uma <span style="text-decoration:underline;">ferramenta</span> para dar vazão a tudo que eles aprenderam até então, ou para guardar as ideias dos outros. O importante é pensar.</p>
<p>No Brasil, infelizmente, essa parte parece não ser fundamental. Pulamos a parte da expressão verbal. O mérito é de quem consegue &#8220;alfabetizar&#8221; (aspas grandes) uma criança com 4 anos. Quando na realidade, naquela idade, o moleque que sabe escrever é apenas um macaquinho que usa ferramentas. Quando temos fôrma antes do conteúdo, as crianças vêem o abecê apenas como um código. Ok, ler cedo pode ajudar a desenvolver o cérebro e não, o método construtivista mezzo mexicano que o Brasil adota não ajuda muito e está bem longe do método finlandês (mas isso é também uma discussão muito muito longa).</p>
<p>Sim, é utópico imaginar que vamos adotar o método finlandês de argumentar desde cedo, ao menos na próxima década. Mas poderíamos ficar com as aulas de retórica e clubes de discussão que os americanos enfrentam no ensino médio deles. Serve pra mim.</p>
<p>Mas não temos nada remotamente parecido, ao menos no currículo recomendado pelo MEC. E o resultado dessa carência é facilmente verificável nos recreios quando os moleques têm 9 anos, nas brigas das meninas para defender a banda favorita aos 12, nos papos de bar a partir dos 15 e nos fóruns e comentários de blog daí em diante. São poucos os que aprenderam a pensar, a formular um raciocínio coerente.</p>
<p>Não espero que um moleque entre em uma conversa &#8220;de adultos&#8221; citando Descartes, é claro. Ele seria um chato. Mas ele precisa saber conversar de alguma forma.</p>
<p>Em uma era onde o conhecimento está a uma busca no Google, essa é a parte da educação importante, não as diferenças entre as briófitas e pteridófitas.  Sim, temos um bocado de &#8220;trabalhos em grupo&#8221; e apresentações em classe, mas são mais muletas de professores do que artifícios pedagógicos válidos. Não é algo finlandisticamente interessante. Mas, de novo, acho que podemos ter algo no meio do caminho como padrão. Tive uma experiência assim.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p>Eu tive a sorte de estudar em um colégio muito bom em Brasília, por 12 anos, o Perpétuo Socorro. Dois dos momentos mais memoráveis da minha vida acadêmica tem a ver com o tópico do dia deste blog.</p>
<p>Na sétima ou oitava série, uma em cada três aulas de redação eram aulas de debate. Era um colégio de freiras, mas chegamos a discutir a legalização da maconha no primeiro grau. O legal era que a professora escolhia alunos contrários a uma determinada causa para defendê-la. No caso da legalização da maconha, eu, o careta, era o advogado dos malucões do fundão. Ganhei o debate, dei todos os argumentos favoráveis possíveis. Quando acabou e recebi a nota, confessei que era contra. Mas havia sido divertido.</p>
<p>Naquela época, considerava ser advogado.</p>
<p>Quando lemos Dom Casmurro, também na oitava série, a professora dividiu a sala para criar um julgamento. Capitu seria julgada: ela foi infiel? Nos preparamos por um mês. Alguns alunos seriam testemunhas-personagens (teriam que ler as passagens específicas) e outros seriam os responsáveis pelo processo: advogado de defesa, promotor, juiz. Novamente, fui advogado, e convenci a todos que Capitu era uma vagabunda promíscua.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p>Alguns comentários que leio são de pessoas que aparentemente sabem escrever, mas que não têm articulação. Ou até são relativamente articuladas, mas que não conseguem entender o que você escreveu, tão fechadas que estão naquilo que acreditam. Falta um pouco de Finlândia nos nossos comentários. E isso é só resultado de uma educação deficiente.</p>
<p>Mas eu tenho uma missão.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p>Como todo jornalista, eu sempre quis mudar o mundo. Como a maioria, para melhor. Acho que consegui mais ou menos isso trabalhando em um <a href="http://www.partes.com.br/reportagens/escolabrasil.asp">sensacional programa de rádio sobre educação</a> ou fazendo algumas reportagens sobre grandes temas pra Superinteressante, como a <a href="http://super.abril.com.br/superarquivo/2007/conteudo_556037.shtml">primeira capa &#8220;verde&#8221;</a> da revista.</p>
<p>Hoje eu trabalho no Gizmodo, um blog de tecnologia, e nunca me senti tão feliz, diga-se. Aparentemente é difícil pensar em mudar o mundo falando sobre celulares e TVs 3D que custam a renda média anual do brasileiro. Até posso tentar isso em um post ou outro, <a href="http://www.gizmodo.com.br/conteudo/siga-plinio-de-arruda-sampaio-no-twitter">como o que publiquei ontem</a>, quando tecnologia e grandes temas filosóficos se encontram.</p>
<p>Mas faço (ou tento) ali embaixo do post, discutindo nos comentários ao confrontar (amigavelmente, em teoria) uma ideia que considero errada. Confesso que ainda me irrito facilmente, abuso da ironia e já apelei.</p>
<p>Mas acho que melhorei um bocado. Ou vou mudando, aos poucos. No início do Gizmodo no Brasil, defendia que teríamos de ser implacáveis com os trolls e idiotas em geral. Lembrava que nos EUA eles eram executados (com o tal banhammer, ou martelo do banimento) e que aqui não poderia ser diferente. O Adriano, com uma experiência de revista, em que todo leitor era de fato um cliente e deveria ser tratado muito bem, apontava para outra direção.</p>
<p>Acabei ficando no meio termo. De todo modo, tento discutir sempre, não apenas para &#8220;defender o meu ganha-pão&#8221;, mas porque toda discussão leva a algum aprendizado (e eu não atuo necessariamente como professor, mas como interlocutor). Mesmo quando eu estiver errado, o debate ajuda o outro lado a formalizar melhor uma tese contrária, organizar as ideias, ver suas incoerências, enfim, ser um pouco mais inteligente.</p>
<p>E, no fim das contas, essa é a minha missão. E não deve ser só a minha. Se você tem um blog, agradeça a caixa de comentários. É um espaço que você tem disponível para mudar o mundo, ajudando as pessoas a raciocinarem melhor, um reply de cada vez.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/burgospost.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/burgospost.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/burgospost.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/burgospost.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/burgospost.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/burgospost.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/burgospost.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/burgospost.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/burgospost.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/burgospost.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/burgospost.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/burgospost.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/burgospost.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/burgospost.wordpress.com/75/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=75&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>São Paulo para o Brasil</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 16:58:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Burgos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Não há como concordar com o movimento São Paulo para os paulistas, é óbvio. Como diz o Tiodino, o único separatismo que tolero é o de irmãos siameses. É preciso entender de alguma forma o que move essa galerinha que quer arrumar altas confusões com um manifesto mal escrito que, ainda bem, teve relativamente bem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=41&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_42" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://burgospost.files.wordpress.com/2010/08/sppordosol.jpg"><img class="size-full wp-image-42" title="Pôr do sol em SP" src="http://burgospost.files.wordpress.com/2010/08/sppordosol.jpg?w=450&#038;h=252" alt="" width="450" height="252" /></a><p class="wp-caption-text">São Paulo vista da minha janela</p></div>
<p style="text-align:left;">Não há como concordar com o movimento <a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4605938-EI6594,00-Em+manifesto+na+web+jovens+paulistas+criticam+migracao.html">São Paulo para os paulistas</a>, é óbvio. Como diz o <a href="http://twitter.com/tiodino">Tiodino</a>, o único separatismo que tolero é o de irmãos siameses.</p>
<p>É preciso entender de alguma forma o que move essa galerinha que quer arrumar altas confusões com um manifesto mal escrito que, ainda bem, teve relativamente bem poucas adesões.</p>
<p>O que ele traz não é somente o (não muito bem disfarçado) ódio à nordestinização da “cultura paulista” (o que quer que isso signifique). Isso é facilmente condenável: você vive em um país grande e portanto deve estar aberto às pessoas diferentes que falam com sotaque diferente, gostam de comer coisas diferentes e talvez se relacionem com as pessoas de maneira diferente (tipo dão 2 beijinhos, em vez de um).</p>
<p>Porque, francamente, quem acha que as “culturas” no Brasil são muitíssimo diferentes deveria ir à Espanha e colocar na mesma mesa bascos, galegos, catalães e madrilenhos. No Brasil somos bem iguais. Apesar de alimentar os estereótipos de garra gaúcha e malandragem carioca sempre é divertido no bar.</p>
<p>E, justiça seja feita, os paulistanos na média gostam dessa pluralidade. O charme da capital, especificamente, é conhecer gente de backgrounds e sotaques tão distintos. Meu grupo de migrantes (brasilienses reunidos no BSBSP@googlegroups) há de concordar: paulistanos curtem a diferença e, como disse um amigo, um dos piores efeitos colaterais dessa bobagem toda foi achar que quem nasceu e mora aqui é fascista. Bobagem. &lt;3 vocês, manos.</p>
<p>Logo, uma análise mais profunda – que leve mais de 30 segundos – destrói esse medo do aculturamento paulistano, a “necessidade” de defender a cultura dos bandeirantes contra a nordestinização, ou qualquer outro preconceito idiota.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p>O problema é o outro argumento central do grupo, que tem um pouco mais de eco: a “injustiça fiscal”. O papo é antigo: produzimos um tantão da riqueza nacional (<a href="http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2009/11/18/sp-e-o-estado-que-mais-perde-participacao-no-pib-do-pais-diz-ibge.jhtm">33,9%</a>, mais precisamente) e ficamos com um tantinho da verba governamental, que seria distribuída <em>praqueles pobres</em> lá do Norte.</p>
<p>Mas qual é a outra ideia? Que o dinheiro de São Paulo fique todo em São Paulo? Na verdade, nos últimos anos a participação do Estado no PIB diminuiu, basicamente porque há mais investimento nos outros estados. O que é ótimo. São Paulo não ficou mais pobre – a riqueza foi redistribuída em lugares onde o investimento do Governo Federal é mais necessário. Com isso outras capitais ficam tão ou mais interessantes para migrantes da zona rural (os goblins dos jovens separatistas).</p>
<p>No fim, o que queremos como brasileiros é sim uma redistribuição da riqueza. Um olhar um pouco mais aprofundado, de novo, mostra que a bandeira do “mais dinheiro feito por São Paulo em São Paulo” pega mal, é feio.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p>Corta para 17 de março deste ano: dezenas de milhares de cariocas foram às ruas pedindo que a lei dos royalties fosse revista. Era um absurdo que essa riqueza do povo fluminense fosse repartida com estados que nem tinham mar. Xuxa discursa, o governador chora.</p>
<p>Mas o que o Rio fez para ter essa riqueza mesmo? Nada. Foi abençoado com uma camada de petróleo. Mas era absurdo dividir o seu. O governador dizia que era um “roubo”, mas não lembrava que o dinheiro ia para outros estados, não para o bolso de outras pessoas.</p>
<p>A coisa é um pouco mais complexa que isso, obviamente: muito do orçamento do Rio de Janeiro está baseado nos royalties e de repente diminuir a verba governamental em um estado que já tem problemas graves seria terrível. Especialmente quando ele depende de um monte de dinheiro para viabilizar Copa e Olimpíadas, por exemplo.</p>
<p>Mas por que defender a “justiça fiscal” – o único ponto não automaticamente idiota dos separatistas paulistas – em um estado é ok e em outro é absurdo? Lembrem que eu não defendo a ideia em nenhum caso. De novo, é tudo bem mais complexo do que distribuição plana de porcentagens. Mas é algo a se pensar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/burgospost.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/burgospost.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/burgospost.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/burgospost.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/burgospost.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/burgospost.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/burgospost.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/burgospost.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/burgospost.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/burgospost.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/burgospost.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/burgospost.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/burgospost.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/burgospost.wordpress.com/41/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=41&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Leia David Foster Wallace, escreva melhor</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2010 02:49:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Burgos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Sabe falar inglês? Tem um vago interesse por jornalismo e/ou tênis? Leia isto. Eu poderia reclamar dois dias sobre por que não veremos um texto assim no Brasil (na Serrote, talvez?) por que o jornalismo esportivo daqui fica entre estatísticas, piadinhas e cornetadas ou como isso sim é que é literatura esportiva de não-ficção, não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=39&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sabe falar inglês? Tem um vago interesse por jornalismo e/ou tênis? Leia <a href="http://www.nytimes.com/2006/08/20/sports/playmagazine/20federer.html?_r=1&amp;pagewanted=all">isto</a>.</p>
<p>Eu poderia reclamar dois dias sobre por que não veremos um texto assim no Brasil (na Serrote, talvez?) por que o jornalismo esportivo daqui fica entre estatísticas, piadinhas e cornetadas ou como isso sim é que é literatura esportiva de não-ficção, não aquelas crônicas-poeminhas do Armando Nogueira, que Nélson Rodrigues o tenha.</p>
<p>Mas não, estou de bom humor e vou falar simplesmente para você ler este texto, a melhor reportagem esportiva que eu já li. Chame de ensaio, qualquer coisa: há bastante informação e análise, acho um texto jornalístico modelo. O título é &#8220;Roger Federer como experiência religiosa&#8221;. Ele tem quase 40 mil caracteres (o dobro de uma matéria de capa da Superinteressante, quando escrevia) e foi publicado na revista Play, suplemento esportivo do New York Times, num domingo de 2006. É grande, mas tão bom que hoje, 4 anos depois, você pode ler e ainda achar o máximo.</p>
<p>E é isso. Quando eu crescer quero escrever como <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Foster_Wallace">David Foster Wallace</a>, que emplacou alguns textos nesta <a href="http://www.kk.org/cooltools/the-best-magazi.php">interessante lista de melhores reportagens de revista dos últimos anos</a> na imprensa americana, que o <a href="http://twitter.com/leosetsfire">Leo Martins</a> me passou. Estou lendo aos poucos e tive que compartilhar este, o mais votado entre todos.</p>
<p>Para registrar devidamente e facilitar a minha futura imitação – ou para ajudar os coleguinhas que querem enriquecer o seu estilo – vamos a uma leitura comentada em sala de aula sobre como fazer um belo texto.</p>
<p>Vou pegar alguns pedaços, em inglês mesmo, ok?</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p>Wallace começa descrevendo minunciosamente e cheio de adjetivos um ponto mágico de Federer. Se você não consegue visualizar lendo, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=NLhM6P_p0KE">assista aqui</a> (e pule para 1:50). Ele encerra a narração assim:</p>
<blockquote><p>It was impossible. It was like something out of “The Matrix.” I don’t know what-all sounds were involved, but my spouse says she hurried in and there was popcorn all over the couch and I was down on one knee and my eyeballs looked like novelty-shop eyeballs. Anyway, that’s one example of a Federer Moment, and that was merely on TV — and the truth is that TV tennis is to live tennis pretty much as video porn is to the felt reality of human love.</p></blockquote>
<p>Logo no início aparece algo fundamental em quase qualquer reportagem/ensaio de alto nível &#8211; ao menos no jornalismo americano: o autor diz o quanto que é próximo ao assunto. Você sabe que, daqui por diante, vai ler um texto de alguém que gosta de tênis, provavelmente pratica e vê Federer como um semideus. Além de obviamente aproximar o autor do leitor, isso é fundamental para você filtrar a informação. Algo que a bobagem da &#8220;imparcialidade a qualquer preço&#8221; na terceira pessoa dos nossos manuais de redação de 1959 não permitem. Wallace não é exatamente jornalista, e isso, você pode argumentar com razão, não é uma reportagem, mas um ensaio. Mas continuemos.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p>Wallace escreveu um texto gigante sobre Federer em 2006. Começou falando de uma partida no ano anterior. Qual é a notícia? Como fazer um texto interessante, dentro de um <em>jornal</em>, sem o famoso gancho? Sendo um bom texto. Wallace enumera o que ele <em>não</em> vai escrever sobre. Notícia mesmo todo mundo têm à disposição no Google ou em qualquer site. O cara que abriu a Play está ali pra ler um texto instigante:</p>
<blockquote><p>Journalistically speaking, there is no hot news to offer you about Roger Federer. He is, at 25, the best tennis player currently alive. Maybe the best ever. Bios and profiles abound. “60 Minutes” did a feature on him just last year. Anything you want to know about Mr. Roger N.M.I. Federer — his background, his home town of Basel, Switzerland, his parents’ sane and unexploitative support of his talent (&#8230;) it’s all just a Google search away. Knock yourself out.</p>
<p>This present article is more about a spectator’s experience of Federer, and its context.</p></blockquote>
<p>Todo mundo já sabe da vida do Federer. Se não sabia, está aqui o resumo. Wallace tenta fazer algo que os jornais diários e sites não conseguiriam: descrever a experiência, praticamente religiosa, de ver o homem em ação, ao vivo, de preferência em Wimbledon. Tente vender esta pauta para alguma revista. Como ele faz isso?</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p style="text-align:left;">Usando uma <em>historinha</em> para balizar seu texto. Só aqui, muitas linhas depois, ele anuncia o lead &#8220;jornalístico&#8221;, a sua tese: Federer é o contra-exemplo do que acredita-se ser o tênis de hoje: dois homens trocando bolas violentas no fundo da quadra e gritando. Ninguém mais sobe à rede: o jogo saque e voleio já era. Não para Federer, que varia o jogo como poucos, não confia tudo na força, é cerebral, armando o <em>winner</em> com várias bolas de antecedência. Não que Nadal não seja legal. Ele é. Mas o suiço é a salvação do tênis. Nadal incorpora o esporte moderno, de força.</p>
<blockquote><p>For reasons that are not well understood, war’s codes are safer for most of us than love’s. You too may find them so, in which case Spain’s mesomorphic and totally martial Rafael Nadal is the man’s man for you — he of the unsleeved biceps and Kabuki self-exhortations. Plus Nadal is also Federer’s nemesis and the big surprise of this year’s Wimbledon, since he’s a clay-court specialist and no one expected him to make it past the first few rounds here. This Wimbledon final’s got the revenge narrative, the king-versus-regicide dynamic, the stark character contrasts. It’s the passionate machismo of southern Europe versus the intricate clinical artistry of the north. Apollo and Dionysus. Scalpel and cleaver. Righty and southpaw. Nos. 1 and 2 in the world. Nadal, the man who’s taken the modern power-baseline game just as far as it goes, versus a man who’s transfigured that modern game, whose precision and variety are as big a deal as his pace and foot-speed, but who may be peculiarly vulnerable to, or psyched out by, that first man. A British sportswriter, exulting with his mates in the press section, says, twice, “It’s going to be a war.”</p></blockquote>
<p>Temos uma guerra, senhoras e senhores. Tudo exagerado, é óbvio. Não há imprecisões ou parcialidade. Ou há, mas como ele já deixou claro sua preferência no início, está tudo bem. A nossa relação com o exagero é engraçada. No fundo, gostamos das capas do Meio Hora e achamos ótimas as ultradramáticas matérias sobre futebol do argentino Olé. Mas aqui, no jornal, não pode. Não se pode torcer, não se pode descrever algo com paixão. Na Copa, alguns comentaristas se gabam de não torcer para o Brasil, porque são profissionais. Profissionais de textos chatos, é isso.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<blockquote><p>There are three kinds of valid explanation for Federer’s ascendancy. One kind involves mystery and metaphysics and is, I think, closest to the real truth. The others are more technical and make for better journalism. The metaphysical explanation is that Roger Federer is one of those rare, preternatural athletes who appear to be exempt, at least in part, from certain physical laws. (&#8230;) Particularly in the all-white that Wimbledon enjoys getting away with still requiring, he looks like what he may well (I think) be: a creature whose body is both flesh and, somehow, light.</p>
<p>This thing about the ball cooperatively hanging there, slowing down, as if susceptible to the Swiss’s will — there’s real metaphysical truth here. And in the following anecdote. After a July 7 semifinal in which Federer destroyed Jonas Bjorkman — not just beat him,destroyed him — and just before a requisite post-match news conference in which Bjorkman, who’s friendly with Federer, says he was pleased to “have the best seat in the house” to watch the Swiss “play the nearest to perfection you can play tennis,” Federer and Bjorkman are chatting and joking around, and Bjorkman asks him just how unnaturally big the ball was looking to him out there, and Federer confirms that it was “like a bowling ball or basketball.” He means it just as a bantery, modest way to make Bjorkman feel better, to confirm that he’s surprised by how unusually well he played today; but he’s also revealing something about what tennis is like for him. Imagine that you’re a person with preternaturally good reflexes and coordination and speed, and that you’re playing high-level tennis. Your experience, in play, will not be that you possess phenomenal reflexes and speed; rather, it will seem to you that the tennis ball is quite large and slow-moving, and that you always have plenty of time to hit it. That is, you won’t experience anything like the (empirically real) quickness and skill that the live audience, watching tennis balls move so fast they hiss and blur, will attribute to you.(8)</p></blockquote>
<p>Wallace nos dá duas explicações para a arte de Federer. Uma metafísica, que ele acha melhor, e é maravilhosamente descrita: basicamente Federer vê a bola maior, em slow-motion, e por isso consegue antecipar a jogada. Eu estou satisfeito com ela. Mas, jornalisticamente falando, ele precisa embasar a sua opinião. E nos vários parágrafos seguintes ele vai dizer o que, tecnicamente, faz de Federer um grande jogador. Mesmo quem não entende do esporte consegue compreender quais as características (não tão triviais) de um top100. Wallace fala o que é o &#8220;senso cinético&#8221;, como é o treinamento de um jogador, quanto tempo ele tem de reação do saque à devolução&#8230; Depois de narrar outro ponto, ele consegue encaixar a evolução do jogo, as mudanças de estilo dos melhores, a importância da raquete, do top-spin, os estilos de Bjorg ou Ivan Lendl&#8230;</p>
<p>Tudo sem tratar o leitor como um idiota. Como ele faz isso é o grande mistério da fé. Talvez ele não tenha recebido a orientação que tantos recebemos quando escrevemos para revista: &#8220;não seja cabeçudo&#8221;, &#8220;Fale como se você estivesse falando com a sua tia&#8221;&#8230; As pessoas são mais inteligentes do que pensamos. Mesmo antes do advento do hiperlink, Wallace fazia seus textos com notas de rodapé. Ele preferia a ter de cortar demais para falar coisas muito, muito básicas. Prefira a boa prosa, trate seu leitor bem. Se ele não entender, clique o link ou pule para as notas. Ele não vai se incomodar.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<blockquote><p>Which sounds very high-flown and nice, of course, but please understand that with this guy it’s not high-flown or abstract. Or nice. In the same emphatic, empirical, dominating way that Lendl drove home his own lesson, Roger Federer is showing that the speed and strength of today’s pro game are merely its skeleton, not its flesh. He has, figuratively and literally, re-embodied men’s tennis, and for the first time in years the game’s future is unpredictable. You should have seen, on the grounds’ outside courts, the variegated ballet that was this year’s Junior Wimbledon. Drop volleys and mixed spins, off-speed serves, gambits planned three shots ahead — all as well as the standard-issue grunts and booming balls. Whether anything like a nascent Federer was here among these juniors can’t be known, of course. Genius is not replicable. Inspiration, though, is contagious, and multiform — and even just to see, close up, power and aggression made vulnerable to beauty is to feel inspired and (in a fleeting, mortal way) reconciled.</p></blockquote>
<p>Todo bom texto de ler &#8211; não os que simplesmente informam, chatos &#8211; tem de fugir com todas as forças da tal pirâmide invertida. O bom texto tem um bom final. Pode ser uma &#8220;cena&#8221; protagnizada pelo personagem que revistas como a Esquire gostam ou o &#8220;No futuro nós vamos ver&#8230;&#8221; da Wired. Wallace nos dá um final sensacional, épico, não-jornalístico.</p>
<p>O bom texto de não-ficção também nos toca de alguma forma. Depois de ler isto, liguei para a Carol e falei que precisamos ver uma partida de tênis, de preferência do Federer, quando formos a Nova York. Decidi que iria escrever este texto, porque precisava apresentar ao maior número de pessoas a minha descoberta tardia.</p>
<p>E decidi que vou ler mais coisas de David Foster Wallace, um romancista, formado Inglês e  filosofia, com mestrado em belas artes, que se suicidou em 2008. Desde hoje a tarde, meu jornalista favorito.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/burgospost.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/burgospost.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/burgospost.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/burgospost.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/burgospost.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/burgospost.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/burgospost.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/burgospost.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/burgospost.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/burgospost.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/burgospost.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/burgospost.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/burgospost.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/burgospost.wordpress.com/39/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=39&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O problema do funcionalismo público. Na França</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 19:52:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Burgos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu não traduzi porque pretendo falar mais do assunto mais pra frente e vou usar isso como base. Mas basicamente a França enfrenta o problema do inchaço do funcionalismo público, com 500.000 empregados no Estado a mais que a Alemanha, apesar de ter 20% menos pessoas. O resultado disso é meio óbvio: ineficiências, como mostra [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=burgospost.wordpress.com&amp;blog=10125563&amp;post=36&amp;subd=burgospost&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não traduzi porque pretendo falar mais do assunto mais pra frente e vou usar isso como base. Mas basicamente a França enfrenta o problema do inchaço do funcionalismo público, com 500.000 empregados no Estado a mais que a Alemanha, apesar de ter 20% menos pessoas. O resultado disso é meio óbvio: ineficiências, como mostra o relato dessa figurinha aqui. Eu acho uns 100 parecidos se eu passar um dia na minha querida Esplanada, em Brasília. Falo há anos: enquanto o funcionalismo público for o ápice da carreira de alguém em um país, ele não está no rumo certo, sustentável a longo prazo.</p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p>C’est la vie in French public sector – but the fight is on</p>
<p>Doug Saunders</p>
<p>Paris — From Wednesday&#8217;s Globe and Mail Published on Tuesday, Jul. 27, 2010 10:38PM EDT Last updated on Wednesday, Jul. 28, 2010 9:59AM EDT</p>
<p>When Aurélie Boullet landed a full-time job two years ago as a mid-ranking fonctionnaire, or bureaucrat, in France’s regional government system, it was the fulfilment of the French dream, the culmination of six years of postsecondary education in government administration in one of the few countries where a permanent public-sector job is still considered the pinnacle of employment.</p>
<p>But the 30-year-old graduate soon found herself horrified by the realities of work in the French state. Installed in the Aquitaine Regional Council in southwest France, she was quickly told that her actual work amounted to between five and 12 hours a month, writing bland summaries of existing reports and helping councillors book first-class travel to destinations in Asia that had little or no relation to their business.</p>
<p>The French have a phrase for this cushioned world of public-sector employment: “le train de vie de l’Etat,” or the lifestyle of the state. President Nicolas Sarkozy, lagging behind other European leaders in facing up to his country’s debt crisis, has decided to confront it mainly by launching a commando mission to derail this first-class train.</p>
<p>Ms. Boullet paints a shocking picture of inefficiency and entitlement. One morning, she was brought into her supervisor’s office and told that she had produced a report in the wrong typeface. She was given a full week, without any other tasks, to solve this problem. The job took her about 25 seconds.</p>
<p>Most of her time at that job was to be filled with breaks, work-avoidance dodges, entire afternoons on Facebook and months of vacation. None of the 30 staff in her office seemed to have any real job; some were friends of councillors who were hired on lucrative contracts with the title chef de mission and no actual function. Across the government, she discovered, this was how life progressed.</p>
<p>“It’s true, I could have had a very nice life in there with good pay and an excellent pension and no work at all, but I was getting destroyed by my job, because I had nothing to do,” she said in an interview days after she was fired by her council for exposing its inefficiencies.</p>
<p>Mr. Sarkozy’s salvoes against the public service, however symbolic, hit where it hurts. One minister was forced to repay €12,000 of public money he had spent on Cohiba cigars; he argued that he had smoked €4,000 worth on official government business. Other ministers were forced to stop using chartered jets for visits home or flying first-class to unnecessary destinations.</p>
<p>Christine Lagarde, the Finance Minister and one of the authors of the money-saving proposals, was humiliated when Mr. Sarkozy’s office asked her to reduce her staff of highly paid personal assistants from 28 to perhaps half a dozen. She refused, saying her department was one of the few that produced revenue.</p>
<p>In order to avoid seeming to spare himself these lifestyle cuts, last week Mr. Sarkozy cancelled the Bastille Day party at the Élysée Palace, his official Paris residence, to save €780,000.</p>
<p>This may be a symbolic battle, but it means a lot in a country where 56 per cent of the work force is employed by government (the highest rate outside Sweden), where the largest and most revered corporations are fully owned or tightly controlled by the government.</p>
<p>France’s private sector has a huge and highly profitable footprint in Europe. The country’s cars, supermarkets, nuclear reactors and department stores are dominant sights from Tallinn to Lisbon.</p>
<p>France is very comfortable with the dominance of the public sector in its economy, but is unable to balance the books. At the same time, unemployment has leaped to 9.9 per cent, with millions of people excluded from the work force due to its restrictive entry requirements.</p>
<p>That has caused tax revenues to plummet. The government now takes in only €268-billion in income to cover €384-billion in expenses, leaving France with a deficit of 8 per cent of GDP, a full 5 per cent above the European Union limit. (That ranks France in the middle of the deficit roster; no major current member of the EU would qualify for membership if applying today.)</p>
<p>Because of this, stories of waste and inefficiency like Ms. Boullet’s are warmly received by the conservative government. Her workplace diary, published under the nom de plume Zoé Shepard with the ironic title Absolument Dé-bor-dée (Absolutely Snowed Under), became a sensation. This led her to be fired, and to become a champion of workplace efficiency.</p>
<p>“We are wasting money without any social gain – we can’t go on and on like this,” Ms. Boullet said. “We have to put a stop to this expensive system or it will destroy us.”</p>
<p>But the word “austerity” remains unmentionable among French politicians – it reeks of the Anglo-American liberalism whose very mention kills votes – so Mr. Sarkozy is proceeding slowly and symbolically even as his European neighbours hack away.</p>
<p>Two weeks ago, faced with a pension system that is unaffordable, a French parliamentary committee passed a plan to raise the retirement age to 62 from 60, a change that will not take place until 2018.</p>
<p>This followed plans to eliminate 100,000 public-sector jobs by not replacing workers who retire, for a saving of €3-billion. Mr. Sarkozy has hinted at far deeper cuts to public-sector expenditure to be implemented this autumn; economists say that far more will be required. Prime Minister François Fillon has reportedly told his cabinet that €45-billion will be slashed in the next three years, but details have not been announced.</p>
<p>Nevertheless, many observers feel that jobs like Ms. Boullet’s will persist because they are deeply ingrained in France’s political system – though not its economy.</p>
<p>“Why does France employ 500,000 more fonctionnaires than Germany, when its population is 20 per cent less?” asked Bruno Cavalier, chief economist at Paris’s Oddo Securities. “The answer is in the domain of politics. … To extricate ourselves from the dictatorship of the short term, we must ask what spending is really, truly necessary.”</p>
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